Introdução - Psiquiatria Integrada
A criação da “Psiquiatria Integrada” acontece após inúmeras experiências e estudos, em medicina, ao longo de 30 anos de atividades. É fruto de profunda reflexão sobre psiquiatria e psicoterapia de psiquiatria dinâmica, junto ao meio médico de nossa região.
Ao longo de nossa vida médica, idealizamos para São Leopoldo, um lugar diferenciado, no qual a prática da medicina estivesse fundamentada em respeito, ética, sigilo e em um atendimento personalizado a nossos clientes, em constante e dedicada interação, visando à promoção de saúde física e mental.
Devemos voltar aos valores nos quais que se fundam os princípios do que se convencionou chamar de boa medicina , a qual tem por alicerce a relação respeitosa entre médico-paciente. Tal relação situa-se no triângulo médico-família-paciente, o qual busca a rápida reintegração física e mental do paciente, objetivando seu retorno ao convívio familiar e social.
O ser humano deve ser visto, sempre, com ser único , em sua complexa dinâmica de vida . Nosso grupo de trabalho, que compõe a Medicina Integrada, terá, sempre, como sua razão de existir, promover a rápida reintegração do ser humano—como paciente—e sua volta ao convívio familiar e social como pessoa sadia. A doença priva o ser humano do que lhe é mais sagrado: a felicidade e a dignidade. Devolver-lhe o que é seu por direito, é a mais nobre função do médico.
A medicina deve estar presente e atuar em todas as áreas de atividade humana. Deve, outrossim, responder por todas necessidades de saúde desses seres únicos, visando a seu máximo equilíbrio e qualidade de vida.
Conceito
O conceito de saúde é amplo, denso, mas, basicamente deve englobar dois aspectos:o físico e o emocional. Embora indissociáveis e profundamente relacionados, a visão de uma medicina integradora é recente. O estreitamento do foco, em razão da multiplicidade de especializações, levou à perda da visão do todo, tão necessária em nossa área. Passamos a ver nossos pacientes como pedaços isolados , sem uma visão que integrasse as estruturas de família e de trabalho.
A competitividade faz das pessoas seres diferentes , com impactos em suas vidas, em estruturas familiares e no modo de se comportar e pensar. Sofrimentos físicos e mentais são inevitáveis.Quem são essas pessoas? Como pensam e vivem? A que esforços são submetidos? Por que morrem tão precocemente? De que? São perguntas que a medicina, como um todo, passou a se fazer. Quais são seus comportamentos, reações diante do estresse, de momentos emocionais intensos, de seus conflitos e de sua eterna busca pelo conforto? Qual a importância disso tudo diante do grupo em que vivem? Qual o impacto disso em sua estrutura física e mental?
A Psiquiatria, como ramo da medicina que tenta desvendar os mistérios da mente humana, foi procurar respostas.
Todo conhecimento humano nos chega através de pesquisas das situações mais graves. O estudo das doenças levou-nos a conhecer a estrutura mental que rege todos seres humanos.
Vivemos em limiares. O limite entre o mais sadio dos homens e o mais doente, é próximo. Passamos à conscientização de que abordávamos mais o aspecto quantitativo do que o qualitativo.
Passar a ver a fragilidade da estrutura mental do homem como uma realidade, nos fez perceber que ninguém estaria a salvo ou seria imune ao sofrimento. Esse conceito moderno levou-nos a mudar a ótica dos tratamentos. Prevenir passou a ser a palavra de ordem, em todos os campos da medicina. Necessitamos agir com um enfoque preventivo ,e não tão concentrado no curativo (caro e muitas vezes ineficaz), principalmente em áreas vitais para a nossa estrutura social, por exemplo, executivos, empresários, profissionais liberais.
Esse grupo especial, de profunda importância em qualquer sociedade, com atitudes comportamentais diferentes dos demais, deve ser objeto de estudo da medicina, particularmente, da psiquiatria, com suas variáveis psicodinâmicas e comportamentais.
Perguntas
A psiquiatria passa a buscar respostas para perguntas simples, tais como:
- Temos uma alta incidência de infartos e hipertensos entre executivos jovens; isso é um fato. Por que essa incidência é tão alta e sua mortalidade é tão expressiva?
- O que fazer para que isso não ocorra de forma brutal, destrutiva?
- Como prevenir tais acontecimentos? Hoje, qualquer pessoa na rua sabe que o estresse mata, e tal afirmação não é segredo para ninguém. O conhecimento técnico de um grupo, aliado à saúde física e mental de todos, é fundamental para que a equipe mantenha seu equilíbrio e atinja seus objetivos.
- Mas como equilibrar um grupo, em um ambiente competitivo? Que características lideranças devem ter? Como lidar com elementos como a expansão? Como é possível preparar , emocionalmente, os integrantes de uma empresa para seu momento evolutivo de fusão? Qual a importância que isso tem na estrutura mental de seus componentes?
- Como se faz a passagem de uma geração para outra, dentro de empresas familiares? Qual o impacto dessas, em confronto com empresas não-familiares?
Para que essas perguntas fossem respondidas, fez-se necessário que um grupo de psiquiatras passasse a viver, estudar e tratar esse segmento social para conhecê-lo melhor: não apenas o indivíduo, para que tivesse mais condições de suportar as demandas de seu desempenho, mas, principalmente, essa pessoa como integrante do conjunto. Assim, a empresa, sua rede de abrangência, a sociedade em que se insere terão condições mais sadias, menos traumáticas de desempenho e de melhores resultados.